Thursday, 25 April 2019

Depois do intercâmbio - Patricia Ishu





Quando começamos a pesquisar sobre intercâmbio, muitas dúvidas começam a surgir, e uma delas certamente é: como vai ser minha vida após isso? Vai fazer diferença de verdade? Será que vale a pena o investimento?
Para isso, resolvi abrir um novo quadro aqui no blog com relatos de pessoas que fizeram intercâmbio e voltaram para seu país de origem, seja Brasil, Japão ou o que for!
E para estrear a novidade, trago para vocês a querida Patrícia, de 22 anos que está morando atualmente no Japão! 
A Paty trabalhou por três anos em fábrica e decidiu mudar de vida. Conheçam um pouco desta história super inspiradora!


1- Paty, por que você decidiu sair do Brasil e ir para o Japão?

Bom, eu não tive muita escolha quando vim para cá. Meus pais vieram em busca de uma vida melhor, meu pai já era mais velho e não conseguia mais emprego no Brasil.
Eu tinha 7 anos quando vim para o Japão, tenho dois irmãos: uma irmã mais velha e um irmão mais velho também. Sou a caçula, minha irmã veio com a gente e meu irmão ficou no Brasil para terminar os estudos


2- Quais eram seus planos quando estava no Japão?

Nós iríamos retornar ao Brasil depois dos famosos "3 anos de visto", por esse motivo meus pais me colocaram em escola brasileira. 
Os anos se passaram e não retornamos ao Brasil. Eu fui aprendendo o japonês básico para me virar, fiz curso em escola japonesa para estrangeiros e assim fui aprendendo cada vez mais.


3- No que você trabalhava nesta época?

Ao terminar o ensino médio fui para a fábrica. Trabalhei durante três anos, fazia yakin e hirukin, três horas extras todos os dias e trabalhava aos sábados, de dia e de noite. Alguns dias que eram mais difíceis, eu não tinha tempo para me divertir com os meus amigos ou até mesmo curtir com a minha família. 
E quando tinha, eu queria aproveitar ao máximo as minhas horinhas livres mas estava cansada. E assim passaram voando três anos, até eu me machucar na minha fábrica.


4- Quando que a idéia de fazer um intercâmbio entrou na sua vida?

Depois que eu me machuquei eu parei e pensei: "o que eu sei fazer?" e o "que eu gosto?". Na hora surgiu na cabeça: "falar inglês!!"
Então eu estudei sozinha e fiz um teste de proficiência em Nagoya. Com essa nota comecei a procurar emprego para dar aulas de inglês e consegui!



5- Por que a Nova Zelândia?

Bem, eu nunca tinha pensado em ir para a Auckland, meu sonho era Nova York, California, mas eram cidades caras. Já tive oportunidade mas nunca ia por medo de ir sozinha e meus pais também eram inseguros pois eu era mais nova demais.

Essa oportunidade de ir para Nova Zelândia apareceu e eu decidi agarrar! Todos me apoiaram, iria um grupo conhecido então acalmou minha ansiedade e dos meus pais, mas ainda sim seria meu primeiro intercâmbio. 


6- Como foi seu intercâmbio?

Fiz um curso de 20 dias de Inglês Geral porque o curso para “Professor” demoraria 1 mês e eu não tinha tudo isso! Teria que retornar para o meu trabalho, então melhor ir 20 dias do que deixar passar essa oportunidade maravilhosa. 
Chegando em Auckland fiquei em um hostel perto da escola. 
No primeiro dia fiz um teste de nivelamento, para ver em qual sala eu entraria. Fiz uma prova escrita e uma entrevista, fiquei no nível avançado. Os dias se passaram muito rápido pois como queria passear escolhi só meio período de aula, então começava às 9:00 e terminava as 11:45. Parece pouco tempo mas aprendi muita coisa e aperfeiçoei também, foi muito legal!
Os professores atenciosos e sempre nos ajudando com informações tanto da escola como também dicas de passeios
Na minha escola também tinha passeios durante a semana e finais de semana, era bem legal! Como foram poucos dias não deu para passar de nível mas não tinha muito mais o que passar pois o próximo já era categoria de proficiência. Mas como fui em grupo vi meus colegas que não falavam nada saindo de lá já sabendo se virar sozinho! Foi emocionante ver essa conquista deles!



7- Valeu a pena ter vindo para a Nova Zelândia? 

Sempre passava na minha cabeça antes de viajar, o que eu poderia esperar da Nova Zelândia? Eu claramente pesquisei bastante mas não tinha noção que iria me apaixonar tanto, um lugar que me passou segurança, um povo feliz e de bem com a vida, um lugar calmo mas ao mesmo tempo agitado, todos aproveitando ao máximo todas as horas do dia, trabalhando mas ao mesmo tempo feliz. 
Perto da minha escola tinha uma pracinha com uma mesa de ping-pong, era uma ação de marketing mas a mesa ficou por ali até nosso último dia de viagem e o mais legal era ver o pessoal saindo para o almoço, sentado na escada com sua marmitinha apreciando sem pressa alguma; e o pessoal de terno e gravata se divertindo na mesa de ping-pong na hora do seu almoço! 
Uma imagem que eu nunca veria no Japão, todos sempre com pressa, ou sem tempo para se divertir no meio da semana, porque o cansaço toma conta. Ali eu me apaixonei mais ainda, fora as paisagens e o cuidado enorme com a natureza e sempre respeitando a cultura! Que admiração! 
Todos os dias eu ia me apaixonando cada vez mais! Antes de ir fazer uma trilha passamos uma escova na sola do tênis e espirramos um produto para não agredir o solo e algumas plantas com as substâncias do nosso sapato! Olha isso! Que cuidado! 
A minha professora até lamentou o Brasil por ser o “pulmão” do mundo não dão o cuidado que precisa e a cultura brasileira não se expandindo, todo mundo acha que é só carnaval e futebol mas temos muito mais e quando apresentamos isso para a sala todos ficaram encantados! Foi um sentimento bom passar um conhecimento além do que eles sabiam sobre a nossa cultura brasileira. 



8- Auckland é conhecida por receber muitos japoneses também. Você conheceu algum?

Tinha uma japonesa na minha sala, ela apresentou a cultura japonesa em uma aula e a gente ia conversando por também conhecer bastante sobre o Japão. Na minha escola tinha bastante japonês, na verdade em Auckland todo lugar que eu ia escutava alguém falando japonês! Nem parecia que tinha saído do Japão! Bastante turista e estudante japonês. 


9- O que te decepcionou na Nova Zelândia?

O que me decepcionou um pouco na Nova Zelândia foram as redes de fast food e alguns restaurantes, mas não sei se podemos comparar o padrão de higiene do Japão com outros países, é realmente incomparável! Sempre que ia em algum restaurante tinha um talher sujo ou copo; fui em um restaurante e tinha um cabelo na minha pizza, eles trataram como se fosse super normal e no Japão seria uma vergonha para o restaurante. 
Mas como eu disse o Japão é incomparável em relação à higiene e educação! 


10- E o que você mais gostou?

O povo neozelandês é animado! Toda vez que ia no mercado as atendentes do caixa conversavam comigo, quando voltei para o Japão e fui na padaria a atendente nem olhou na minha cara direito, pegou meu dinheiro, me deu o troco e abaixou a cabeça e agradeceu, ali eu senti uma saudade enorme do povo neozelandês.
Mas são culturas diferentes, dá para entender, mas que eu sinto falta de interagir eu sinto!
Eu me sentia em casa na Nova Zelândia, eu entendia todo mundo, todo mundo me entendia, era um sentimento tão gostoso, não consigo descrever. 


11- Como está sua vida hoje depois do intercâmbio?

Estou de volta ao Japão, voltei a dar aulas de inglês, mas estou com muitos planos em andamento para a Nova Zelândia! Quero ir agora para ficar 6 meses tentar estudar e trabalhar para ver como é pois fui como turista/estudante então acho que é diferente o ponto de vista! E mais para frente quem sabe não escolher lá para ser meu lar. 


12- Qual dica você daria para quem quer fazer intercâmbio mas tem medo?

Nunca desistam dos seus sonhos e aquilo que você quer nem sempre é o que você precisa, tudo tem seu tempo e a sua hora, você realmente se surpreende com o que o destino reserva para você. Tenho só agradecer tudo o que eu aprendi com essa viagem e quero muito mais! Cada viagem adiciona um conhecimento que te marca para sempre!  

Paty muito obrigada por sua generosidade em compartilhar uma história tão inspiradora!
Quem quiser conhecer mais sobre a Paty o Instagram dela é o @paahty_ 

Um beijo,

Amanda


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